Manifesto aprovado na 1a. CESA

Manifesto dos participantes da 1ª. Conferência Estadual de Saúde Ambiental do Ceará em apoio às pesquisadoras Raquel Rigotto e Islene Rosa do Núcleo TRAMAS/UFC, interpeladas extrajudicialmente pela empresa produtora de agrotóxico Agripec/Nufarm e contra a criminalização de pesquisadores que atuam e lutam pela justiça socioambiental no Estado do Ceará.

A Universidade Federal do Ceará, atendendo à solicitação do Ministério Público referente a denúncia de comunidades que há cerca de 15 anos sofrem com a contaminação ambiental provocada pela fábrica de agrotóxicos da Agripec/Nufarm, causando sérios danos à saúde dessas comunidades, nomeou, através de ato do Reitor, a Profa. Raquel Rigotto, do Departamento de Saúde Comunitária, e mais outros dois professores para realizarem estudo técnico a fim de investigar o problema e subsidiar o Ministério Público em suas ações.

À época, a mestranda em Saúde Pública da UFC Islene Rosa, realizou sua pesquisa de mestrado sobre o conflito socioambiental na comunidade de Novo Maracanaú, decorrente da referida contaminação ambiental, passando, desde então, a participar e colaborar com a equipe técnica nomeada pelo Reitor.

A empresa Agripec/Nurfarm, na tentativa de intimidar as pesquisadoras e de restringir a liberdade e autonomia da universidade e o uso adequado de informações públicas, que devem estar a serviço do poder público e da população, interpelou extrajudicialmente as pesquisadoras Raquel Rigotto e Islene Rosa, do Núcleo TRAMAS – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade da UFC.

Os participantes da 1ª. Conferência Estadual de Saúde Ambiental do Ceará compreendem que a Universidade, ao realizar este trabalho, está cumprindo o seu papel técnico e social e contribuindo para atender às demandas de produção de conhecimentos de movimentos sociais no Ceará sobre os graves conflitos socioambientais e suas implicações sobre a saúde ambiental e a qualidade de vida da população.

Diante do exposto, nós, participantes da 1ª Conferência Estadual de Saúde Ambiental do Ceará, nos manifestamos em apoio às pesquisadoras e nos posicionamos contra a criminalização de pesquisadores que cumprem seu papel de instituição pública voltada para o público.

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