Esse mar é meu: Projeto destaca protagonismo juvenil em Icapuí

Esses são os principais objetivos do Projeto Esse Mar é Meu, que encontrou terreno fértil na organização das comunidades do Município de Icapuí, e hoje, após um ano de implementação comemora os avanços alcançados. O projeto Esse Mar É meu compõe a teia da sustentabiliade em volta do Plano de Desenvolvimento Local Sustentável de Icapuí e é o primeiro projeto de ecodesenvolvimento, de todo o Brasil, patrocinado pela Fundação O Boticário de Proteção à Natureza em parceria com a Fundação Interamericana, entidade que apóia o desenvolvimento comunitário em vários países. No último sábado, uma comitiva da Fundação

O Boticário esteve em Icapuí para conferir o andamento do projeto que adotado. Segundo os biólogos, a experiência é das mais relevantes e sinaliza para a auto-sustentabilidade num futuro próximo. Numa percepção sitêmica de desenvolvimento sustentável, o Projeto Esse Mar é Meu vem contando amplamente com o protagonismo juvenil acentuado em Icapuí. Ele é realizado em integração com outros projetos que acontecem concomitantemente no Município, como o projeto Em cada Casa uma Estrela, que vem transformando jovens, em sua maioria filhas de donos de pequenas pousadas, em “Especialistas em Gastronomia”, através de uma capacitação do Senac de 470 horas, com o apoio da Fundação Vitae. Também foram treinados os Agentes Receptivoss Turísticos e Agentes Ambientais, que já totalizam 60.

Essa capacitação possibilita aos jovens visualizarem novas profissões a partir de seu próprio ambiente, abrindo um leque de oportunidades para que possam situar suas competências individuais. O Grupo Igarakuê (peixe-boi, em tupi-guarani), formado por cerca de 30 meninos e meninas da Escola Professor Gabriel, também é parte integrante da cadeia de sustentabilidade de Icapuí. Eles colaboram com o Projeto Esse Mar é Meu na questão do reflorestamento do mangue. Nos últimos dois meses, o grupo já plantou cerca de 300 mudas. “A maioria da população de Icapuí só precisa da farinha, bem dizer. Porque aqui ninguém passa fome não, se vinher aqui no mangue pega um siri, um carangueijo, um peixe. É um meio de vida.”, explica Osvaldo Pereira dos Santos, de 16 anos. Ele é filho de marisqueira e é um dos fiéis defensores do ecossistema do mangue.

Na Escola Ambiental da Fazenda Belém, um local doado pela Petrobras, funcionam outras bases que contribuem para o ecodesenvolvimento de Icapuí, como o projeto de educação ambiental Peixe Vivo e o viveiro de mudas nativas que ajudam no reflorestamento de áreas degradadas, principalmente as de falésias. “Desde pequenininha a criança tem que saber que se arrancar um flor tá prejudicando a planta e a ela mesma no futuro”. É o que conta Francisco Valdriano da Cruz, de 18 anos, que é responsável pelo viveiro de mudas onde constam espécies nativas como: amburana, jatobá, cajueiro, pau d´arco, angico, painerias, tamburil, entre outras.

Fonte: Diário do Nordeste – 10/11/2003

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