Ceará teve quatro dos 24 finalistas

A organização do prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social certificou 114 projetos, de um total de 695 inscritos. Da lista saíram os 24 escolhidos para a disputa final nas categorias Sul, Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste, Direitos da Criança e do Adolescente e Protagonismo Juvenil, Gestão de Recursos Hídricos e, finalmente, Participação de Mulheres na Gestão de Tecnologias Sociais. Dos 24, quatro projetos são cearenses, o que mostra a boa participação do Estado no prêmio.

Além dos projetos Pingo D-água, de Quixeramobim (a 206 km de Fortaleza), e Mulheres de Corpo e Algas, de Icapuí (a 202 km da Capital), os outros dois projetos cearenses foram “A reserva natural Serra das Almas e seu Modelo Integrado de Conservação da Caatinga“, de responsabilidade da Associação Caatinga, e “Abordagem Sistêmica Comunitária“, tocado pelo Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim, de Fortaleza. Os dois trabalhos perderam na categoria Nordeste, que teve todos os finalistas do Ceará, para o projeto desenvolvido em Icapuí. (Gualter George, enviado a Brasília)

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Prêmio nacional

Reconhecimento a ideias que transformaram realidades
Quatro projetos cearenses ficaram entre os finalistas no Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2009, cuja solenidade ocorreu em Brasília

Guálter George
Enviado a Brasília
gualter@opovo.com.br
28 Nov 2009 – 18h40min

Éassim a cada dois anos, desde 2001. A Fundação Banco do Brasil seleciona um grupo de projetos país afora e, distribuindo-os por categorias específicas, regionais ou temáticas, abre uma disputa por um prêmio que, em dinheiro, chega hoje a R$ 50 mil. A quinta edição teve como um dos destaques ressaltados a forte participação cearense, com quatro finalistas certificados para a disputa em duas categorias, uma delas de abrangência nacional.

O projeto Pingo D-água, focado no semiárido e desenvolvido pelo Instituto Sertão Vivo, a partir de Quixeramobim (a 206 km de Fortaleza), disputou o prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2009 na categoria Gestão de Recursos Hídricos. Mesmo derrotado pelo projeto de Barragem Subterrânea com Lona Plástica, desenvolvido pela Cooperativa de Serviços Técnicos do Agronegócio, no Rio de Janeiro, o cearense Carlos Simão agradeceu o reconhecimento da FBB à iniciativa que, anunciou, está sendo requisitada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para aplicação numa área seca do Quênia, África, região de refugiados.

“Estamos indo pra lá colocar a nossa tecnologia a serviço de uma população que habita numa região em que, para se ter uma ideia, chove 70% menos que no Ceará“, anunciou Carlos Simão. O reconhecimento internacional é importante, diz ele, mas não o suficiente para neutralizar por completo a decepção com o fato de, muitas vezes, faltar a mesma compreensão dentro do próprio País.

Outros cearenses, ou representantes de tecnologias sociais aplicadas no Estado, foram a Brasília para participar da premiação, agradecer o reconhecimento e, aproveitando a ocasião, reclamar por mais apoio às ações voluntárias que desenvolvem. Vencedora do prêmio Regional Nordeste, em disputa com dois outros projetos locais, Maria Leinad Carbogim, diretora da Fundação Brasil Cidadão, antes do evento destacava que o mais importante era ver suas experiências replicadas.

O projeto “Cultivo Sustentável de Algas Marinhas“, desenvolvido em Icapuí (a 202 km de Fortaleza), no litoral sul do Ceará, possibilitou à comunidade de Barrinha, segundo constatou a FBB, uma importante transformação de vida. Algueiros passaram de depredadores de algas a empreendedores de exploração comercial do recurso, a partir de uma técnica simples e de baixo impacto ambiental. Um fato importante é que os produtos advindos da atividade custam, hoje, até dez vezes mais do que conseguiam antes de serem capacitados pelo projeto, chamado de Mulheres de Corpo e Algas.

>> O JORNALISTA viajou a Brasília a convite da Fundação Banco do Brasil.

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