Desde o inicio do século XIX, ou muito antes disso, (Séc. XVIII), segundo os moradores, Tremembé já era habitada. Ha algumas versões, sobre os primeiros habitantes. Contaram os mais velhos da comunidade, que os seus pais falavam, que ouviram dos seus avos, a existência de índios na comunidade, bem como de holandeses, vindos estes, saírem de Tremembé para a comunidade de Ponta Grossa e Retiro Grande e logo depois, indo embora para a cidade de Amontada-CE, Daí então, a origem do nome Tremembé. Enquanto outra versão seria por conta de um riacho, de uma areia movediça. Após este tempo, em aproximadamente 1910, as famílias conhecidas realmente de Tremembé, foram os Justinos, Teodolinos Damascenos, seguidos dos Estevão, Rocha e os Ferreira Alcântara, todas, famílias de pescadores.
Viviam da Pesca e da Agricultura de subsistência, pegavam peixes grandes e pequenos, como as agulhas, que tinha em abundancia nesta época. Vinham moradores de Melancias, juntava-se com os de Tremembé e pagavam um grupo de mulheres para cuidarem do peixe, ou seja, consertar e salgar em grandes quantidades, para serem vendidos a Simão Felipe, ou a outros compradores, que os levava para Aracati. Como não existiam locais para conservar o peixe, estes, eram salgados e muitas vezes assado para levar em viagem. Por falta de estrada, o acesso à comunidade era bastante difícil, sendo o transporte à pe ou de animais.
O sal chegava a Tremembé ainda em barras grandes, trazidos das salinas dos senhores Felix, feitores das salinas na época e era colocado em barris com água para derreter e colocar o peixe. A pesca era feita através de jangadas a velas, construídas com madeira de piuba, vindo do norte de navio, como ainda de paquetes, barcos menores, de valor mais acessível e trermaios. Quando o mar estava calmo, os pescadores pegavam suas jangadas e saiam em busca de peixes grandes; arabaiana, cavala, sirigado, cioba e outros. Seu Juarez levava o peixe salgado, (agulhas), para vender em Cascavel. Quando era preciso ir a Fortaleza, faziam comboios de animais, iam até Aracati e atravessam de balsa, pois na época, não existia a ponte do Rio Jaguaribe.
A assistência à saúde era muito precária, as pessoas morriam muito jovens na comunidade, tendo em vista a falta de uma melhor assistência médica. Vinha um farmacêutico de Mossoró e receitava as pessoas. Demorava muito até chegar socorro.
Comercialização - vinham pessoas de Cascavel, trazendo rapadura e levava o peixe a farinha e o coco. Apesar de muita fartura na alimentação, as dificuldades eram muitas, não existia água boa para as necessidades da comunidade, enquanto algumas famílias tinham cacimbas em seus quintais, a água para beber era trazida na cabeça das mulheres, através de latas, muitas vezes passando água pela cintura, vindo da comunidade de Melancias. Outros aproveitavam essa dificuldade para ganhar, vendendo água de porta em porta, trazida de jumento.
Os homens saiam para pescar às 4 horas da manhã, retornavam muitas vezes altas horas da noite, para a janta da família, as mães acordavam os filhos para comer.
Na agricultura se plantava o feijão, a batata, a mandioca e a cana de açúcar, existia uma casa de farinha dos Teodolinos Damascenos, onde a maioria das famílias produzia sua própria farinha e armazenavam durante algum tempo. Durante a colheita da mandioca, era uma festa para a comunidade, mulheres e homens em forma de mutirão, colhiam a mandioca, descascavam, levavam semanas para fazerem as farinhas. O coco também era outra fonte de renda, era levado em animais para serem vendidos em Mossoró e em Jaguaruana. Como ainda, do coco as mulheres faziam o óleo e vendiam- A partir de 1910- Outra fonte de renda para os moradores era o algodão, muitas famílias plantavam e retiravam para vender. As mulheres trabalhavam ainda, na coleta de Hortência, onde dela retirava-se o pelo colocava para secar e vendiam para a montagem de almofadas, enquanto que a semente era utilizada como comida para as galinhas. Mas o gado, pois fim a esta atividade, pois comia as plantas das hortências.
Não existia fogão, tudo era feito à lenha, que era trazido de longe. Nesta época, as casas eram de palhas e outras de madeiras.
Na comunidade existiam poucas casas, aproximadamente umas 13. Tinha uma colônia de pescadores chamada de Z-14, que era mantida pelo ministério da marinha e servia de sede para as realizações das missas, tendo como responsável o Pe. Marcondes, que muito ajudou a comunidade. Era também sede para a primeira escola, de nome Comandante Armando Pina e teve como professor um senhor chamado Zé Borges (1920).
Outros educadores que passaram pela comunidade, Dona Neném de Melancias, Dona Aldagisa e Seu Luiz Cirino que passou a ser educador na comunidade na década de 1975.
Ainda na década de 1920, mais precisamente em 1924, existia um riacho, onde hoje é a igreja, tendo em vista as grandes chuvas, mas que foi desaparecendo com o tempo.
Em 1950, através da ajuda do Pe. Marcondes foi construída a tão sonhada igreja, onde em forma de mutirão, a comunidade se reuniu e sob o comando de Antonio Cirino, construíram a Igreja de Tremembé. As pedras foram todas retiradas de dentro do mar, eram trazidas de barco, chegando em terra, fazia-se uma fila de homens e as pedras iam passando de mão em mão, até chegar ao local da igreja. Mas, foi ameaçada de destruição em 1964, depois de uma grande chuva, que ameaçou a abertura do antigo riacho, derrubando inclusive algumas casas e coqueiros, levando os moradores a se organizarem e juntos abrirem uma vala para o escoamento da água em outro lugar, formando-se então, o riacho do gango, tendo o nome, se originado por João Barra, da comunidade vizinha de Morro Pintado, que vinha muito a Tremembé e que é uma de suas aventuras foi acometido por um fato que o levou a criar esse nome que ficou até hoje.
Houve uma tentativa de se mudar o nome de Tremembé, para o então Padroeiro da comunidade, São Pedro, através da influencia do Pe. Marcondes, sugerindo inclusive, que a comunidade passasse a ser porto de são Pedro, mas a comunidade não aceitou.
Tremembé passou por um período muito difícil, na década de 1940 e 1950, levando inclusive, muitos jovens a abandonarem sua comunidade em busca de novos horizontes, indo embora para outros estados. Muitos moradores alem da pesca do peixe, tiravam capim (algas marinhas), para vender em Areia Branca e para seu consumo tirava do mar a taioba, tipo de molusco, existente ainda em muitas praias de Icapuí.
O acesso à comunidade era muito difícil, pela praia, dependendo da maré, ou pelo antigo caminho, uma pequena vereda de morros de areia que dava passagem para animais e jipe.
Em 1930, existia um pequeno comercio, o do Sr. Manoel Contente.
Em 1950, Tremembé tem uma grande novidade, o primeiro rádio, de bateria, puxado a cata-vento, de propriedade do Senhor Alfredo, família dos Teodolinos Damascenos. Construção da primeira casa de taipa, da família dos Alfredos.
Em 1955, Início da festa do Padroeiro, São Pedro, considerada umas das festas da época mais animadas de Icapuí, vindo pessoas de todas as comunidades e das cidades de Mossoró e Fortaleza. Tinham quermesses, pastoril, leiloes e escolha da rainha do partido vermelho e azul. Havia ainda, muitas procissões marítimas, onde as pessoas de barco carregavam a imagem do santo, durou mais ou menos até a década de 1990.
Em 1960, Tremembé descobre a pesca da lagosta e com elas viriam às melhoras para algumas famílias da comunidade.
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Em 1970, é construída e mantida por Aracati, a primeira escola, no local, onde funcionava a colônia de pescadores, Escola Municipal Mario Dela Ravera. Depois, começou a funcionar a escola de Tremembé, com o Professor Epitácio da comunidade de Melancias.
Construção da primeira casa de tijolo e telha, do Sr. Zé de Alfredo.
Tremembé foi uma das primeiras comunidades a se organizar para discutir os seus problemas, movimento incentivado pela igreja tendo como grande articulador o PE Diomedes, outro padre que muito contribui para a historia de Tremembé.
A pesca vai se modernizando, as jangadas, começam a serem construídas com isopor, para a pesca artesanal. Surgem outros comércios, dos irmãos de Zé de Alfredo e dos Santos.
1978- final da década de 70- Pe. Diomedes traz uma grande novidade e avanço para a comunidade, uma farmácia comunitária, funcionado na igreja, com os primeiros socorros; curativos e verificação de pressão. 02 pessoas da comunidade são treinadas, Dona Marli e Dona Lourdinha, para prestarem os serviços de primeiros socorros.
Durantes todos esses tempos à igreja, teve bastante influencia na decisão e conquistas da comunidade.
1979- Iniciam os primeiros comércios ligados ao Turismo, as mercearias do Sr. Juarez e Sr. Moço, já atendendo pessoas vindo de Mossoró-RN, ainda não existia nenhuma barraca de praia. No inicio, a maré era muito afastada das casas e de onde é hoje. As casas ficavam localizadas, onde hoje fica o mar quando cheio. Percebe-se então, que ao longo de todos estes tempos, o grande avanço do mar.
1980- Outra grande novidade e avanço para os moradores de Tremembé, foram o surgimentos da primeira televisão, também de propriedade do Senhor Zé de Alfredo, tendo levado toda a comunidade a sua casa, para assistir a chegada do papa João Paulo Segundo em Fortaleza, no castelão. Neste mesmo ano, outra conquista da comunidade, é a chegada da energia elétrica e a primeira casa a ser beneficiada, foi casa do Sr. Juarez, pelo projeto lamparina, em seguida a casa de seu Edmundo.
Nesta mesma década, a comunidade teve uma grande conquista, a construção de um chafariz, trazendo água da comunidade de Melancias e abastecendo quase toda a comunidade de Tremembé.
Primeira geladeira - Famílias dos Alfredos
Inicio da embarcação com barcos a motor, sendo os primeiros proprietários, os senhores Zé de Alfredo e Getulio.
É construída a primeira casa de veraneio, do Sr. Vicente de Fortaleza, há 23 anos na comunidade, senhor com bastante influencia.
1983- com o avanço do tempo, a estrada foi começando a ser trafegada, já por carros e era de caraco.
1984-construção da estrada de piçarra- inauguração- uma grande festa
Demolição do prédio da primeira escola
1985- As coisas começam a melhorar em Tremembé, após a emancipação, quando icapui passa a ser cidade.
1987- Criação da I Associação de moradores
1990- Tremembé descobre o turismo e as pessoas começam a descobrir Tremembé. Construção de barracas de praia.
Melhoria do acesso à comunidade.
Criação do grupo de jovens - regulamentações da associação.
1997- Tremembé recebe o primeiro grande evento, reunindo milhares de pessoas de todos os cantos do Brasil e da América. E a comunidade abre as portas para o turismo. I acampamento Latino Americano da Juventude.
1998- a comunicação chega a Tremembé- telefone fixo- orelhão, mas antes disso, já existia um telefone fixo, na residência do Sr. Zé de Alfredo, vindo um ramal da comunidade de Melancias.
Grande salto na educação – professores se graduando;
Jovens da comunidade entrando na universidade
2000- Os italianos descobrem a beleza e o encanto de Tremembé - presença de italianos na comunidade.
Construção de uma quadra de esportes.
2001- Professores graduados e jovens na universidade
2002- Construção do calcamento do centro da comunidade.
2003- Água encanada e tratada em quase todas as casas.
Chegada dos telefones celulares-Telefone móvel.
2005- muitos jovens na Universidade, presença forte de italianos.
Outros fatos pesquisados:
Construção da pousadas e restaurante Tremembé
Construção da pousada solar- 2001
Construção da casa do mar - hotel dos portugueses que chega a empregar algumas pessoas e jovens da comunidade- 2001.
PARTICIPANTES:
Heloisa Ferreira Rebouças- 36 anos
Edmundo Pereira Rebouças- 74 anos
Elsa Rebouças da Costa- 70 anos
Maria Vilanir Rebouças- 60 anos
Iza Maria Ferreira Rebouças- 30 anos
Maria de Fátima de Oliveira- 63 anos
Luiz Ferreira dos Santos- 65
Bruna Késia damasceno Batista- 14 anos
Mônica Patrícia de Oliveira- 25
Regina Célia Ferreira de Alcântara- 24
Cleomar Silva dos Santos-
Maria José da Silva-
Angélica Padilha
Entrevistados:
Edmundo Pereira Rebouças- 74 anos
Dona Altina-
Seu Luiz de Neco- 73 anos
Maria de Fátima de Oliveira- 63 anos
Sr. Raimundo Damasceno- 76 anos
Sr. Juarez Damasceno -70- anos
Raimundo Alcântara Ferreira da Silva- 70 anos