Manguezal
Lugar tão bonito e atraente dificilmente escaparia à cobiça. O desmatamento de grandes áreas e a fragmentação de sua cobertura original desfiguraram totalmente a paisagem, condenando à extinção espécies vegetais e animais.Os manguezais apresentam estado avançado de degradação, pois suas florestas foram derrubadas para dar lugar a salinas e viveiros de camarão.
A instalação de salinas, até por volta da década de setenta, reduziu drasticamente o mangue a menos de 25% de sua área primitiva. Nos últimos anos, a maior ameaça a esse ecossistema tem sido a expansão do cultivo de camarão que, apesar de instalar-se sobre antigas salinas, continua promovendo o desmatamento do bosque de mangue e áreas de salgado adjacentes, construção de canais de drenagem e abastecimento, além de benfeitorias como casas de bombas.
Os dejetos e efluentes despejados por estas áreas de cultivo intensivo podem causar sérios problemas aos fluxos naturais de energia e material no ecossistema, gerando toxicidade por excesso de matéria orgânica (eutrofização), assoreamento, poluição por produtos químicos utilizados nas rações e para a desinfecção dos viveiros. A falta de controle e de infra-estrutura no porto da Barra Grande também tem contribuído para a degradação do manguezal, através do despejo de efluentes das embarcações, vazamentos de óleo e geração de resíduos sólidos. Esta é, provavelmente, a área mais crítica para a preservação e recuperação no município.
Ecossistemas de transição entre a terra e o mar, compostos por uma vegetação de mangues. Os manguezais aparecem nas áreas da costa onde as correntes são diminuídas, nos estuários, reentrâncias da maré e enseadas. Essas áreas recebem um intenso fluxo sedimentar de origem costeira e fluvial, cujo processo de sedimentação dá origem ao solo do manguezal composto por sedimentos que variam de fino a finíssimo e dão pouca compatibilidade ao solo. Nesses ambientes, a presença das águas doce e salgada também é muito importante para o equilíbrio do ecossistema.
Os manguezais são tidos como áreas de alta reprodutividade, um local propício ao desenvolvimento da biodiversidade costeira. Por isso é que, nessas áreas, se dá a reprodução da maioria das espécies costeiras.
Os manguezais, principalmente encontrados na Barra Grande e Requenguela, são formados por apenas quatro espécies que se distribuem de acordo com a sazonalidade: Mangue vermelho, Mangue branco, Mangue preto e Mangue ratinho. Estas espécies funcionam como barreira de proteção contra a erosão marinha, além de servirem como “residência” da fauna marinha. Há ainda uma vegetação associada, composta de plantas muito resistentes à salinidade (halófitas), sendo estas compostas por Bredo, Pirrixiu, Patoral e o Capim-agilha, uma fanerógama marinha que alimenta o mais ameaçado mamífero aquático, o Peixe-boi.