PICOS
Origem do nome:
Pela falta de uma idéia clara e segura a comunidade absteve-se de declarações que indicassem a origem do nome. De qualquer forma cabe-nos fazer algumas alusões a esta designação toponímica que parece ter suas raízes fundadas na existência de bancos submarinos, pontais ou “picos” que avançam ao longo da plataforma continental. Formações bem visíveis em ciclos de maré baixa (Leia-se STUDART FILHO. 1969: 45-61. FREITAS FILHO. 2003: 23-24 & OLIVEIRA. 1937: 214-215).
Linha da Vida
Segundo Olga da Silva, 60 anos, Picos era uma comunidade com mais de 50 famílias que residiam na beira da praia, no final da década de 40 e inicio da década de 50. As casas eram todas de palha ou de taipa, cobertas com palhas de coqueiros. Muitas eram rebocadas com o próprio barro retirado do sopé das falésias que depois de pisado e molhado virava uma tinta chamada “gigi”. A primeira casa de tijolo da comunidade foi feita por Pedro Miguel.
A comunidade vivia basicamente da pesca e segundo seus moradores havia uma grande quantidade e variedade de peixes. Em geral, as embarcações pertenciam aos senhores Vicente, Raimundo de André e Francisco Henrique. A captura da lagosta só teve inicio no povoado por volta de 1958, uma novidade trazida por um estrangeiro chamado Morgan e conhecido pela população como “Moga”, o primeiro comercializador do crustáceo na região. Outros compradores afeitos a lucruosa atividade foram Vicentão e Expedito Ferreira, atual prefeito de Aracati. Conforme o Sr. Vicente dos Santos, de 82 anos, nascido e criado em Picos, a lagosta era pescada nas pedras com um anzol. Eram espécies grandes e “uma única cabeça dava almoço pra duas pessoas”. Só depois veio a pesca com o jereré, posteriormente o manzuá e finalmente a rede.
Em Picos as famílias mantinham a agricultura de subsistência, plantando milho, feijão e mandioca, além do que cultivavam o algodão para a venda em pouca e média quantidade. Atesta ainda Dona Maria Valente dos Santos, 73, que havia o plantio da cana nos sopés das falésias, onde jorravam férteis nascentes.
Apesar de ser uma comunidade litorânea, seus habitantes relembram as secas como momentos de imensas dificuldades para todos. Segundo o seu José, foram as estiagens de 1915, 1932 e 1977 as piores da história.
A água para beber era retirada de vertentes naturais, como também das torrentes pluviais (chuvas), quando precipitadas em boa quantidade.
A saúde local era um desafio a ser vencido, no jogo de prevaricação e sorte que mal conseguia driblar a morte! O fato mais comum entre os moradores de Picos neste sentido, foi a memória das parteiras como as senhoras Dona Eugênia, Chiquinha de Valdivino, Doca de Viana e Dona Angelina, está última com uma curiosa particularidade, era sega.
Participaram desse processo de resgate da memória coletiva local:
Maria Valente dos Santos, Vicente dos Santos e Olga da Silva. Em oficina realizada aos 30 de setembro de 2005, sob a moderação de Dora Farias e Arimatéia Silva.
Referência Bibliográfica
MARÍ (Tese de Mestrado)
BEZERRA, Cláudio Alberto Barbosa. Impacto social da pesca da lagosta com compressor em Redonda – Icapuí – CE. (Monografia de Graduação em Engenharia de Pesca) Centro de Ciências Agrárias. Departamento de Engenharia de Pesca. UFC – Fortaleza-CE, 1992.
OLIVEIRA, Ocivá José de. Sociedade e economia na atividade lagosteira de Icapuí – CE. (Monografia de Especialização em Desenvolvimento Regional) Pró-Reitoria de Pesca e Pós-Graduação. UERN. Mossoró – RN, 1994.
_______________________. A atividade lagosteira no município de Icapuí-CE: a situação de vida do pescador, suas contradições e perspectivas. Revista Expressão, Ano XXX, Nº 1 e 2. UERN. 1999.
ANDRADE, Luiz Odorico Monteiro de. & GOYA, Neusa. Sistemas locais de saúde em município de pequeno porte – a resposta de Icapuí. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 1992.
SILVA, José Airton Félix Cirilo da. Icapuí uma história de luta. 1ª ed. Gráfica Encaixe. Fortaleza – CE, 1998.
HAGUETTE, André. VIDAL, Eloísa M. (org.). Os caminhos da municipalização no Ceará: uma avaliação. UFC, Casa de José de Alencar, Programa Editorial. Fortaleza, CE. 1998.
FREITAS FILHO, Manuel de. A aldeia do areal: história e memória de Ibicuitaba, Icapuí, Ceará. Fortaleza, CE. Ed. BN. 2003.
OLIVEIRA, João Batista Perdigão. O Ceará e seus limites. Revista do Instituto do Ceará. Fortaleza-CE. Tomo 51. 1937.
STUDART FILHO, Carlos. O povoamento do Ceará. Revista do Instituto do Ceará. Fortaleza-CE. Tomo 83. 1969.
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