PEROBA
Origem do nome:
Designativo de uma árvore nativa chamada “Peroba”, outrora abundante na região.
Linha da Vida
Indicam seus moradores que os primeiros habitantes da comunidade surgiram por volta de 1880. Eles teriam sido descendentes diretos de Dona Rosa Clemente. Aproximadamente pelos idos de 1900, outros povoadores vieram ocupar a Peroba, formando novos ramos familiares, entre os quais estavam aqueles ligados ao Sr. José Viana, José Odílio da Cruz e Francisco Prego. A quantidade de residências era bastante pequena, contavam-se apenas três ou quatro casas.
Basicamente tiravam a sobrevivência da agricultura e da pesca, manejada artesanalmente. Entre as espécies de pescado mais comum em alto mar destacavam-se: o mero e o cação, também mui temidos. Neste ciclo alimentício a farinha de mandioca é citada como famosa mistura e, por sinal, raramente encontrada. Quando a povoação de Redonda não atendia a essa necessidade de base alimentar o jeito era apelar para Icapuí-Sede, há quilômetros de distância, num percurso de cansaço, demora e de paradas para breve alento do corpo fatigado e não raro a viagem era também era perdida. Por vezes, a farinha servia ainda como fonte de permuta ou troca entre os nativos que desejavam angariar alguns produtos a mais.
Peroba, como tantos outros espalhados nos recantos costeiros da região era uma vilazinha anônima, sem dela ter-se muito que esperar. Tempos difíceis aqueles! A noite chegava e com ela a escuridão. A falta de luminária como a velha e conhecida lamparina, levava o povo a utilizar cera de abelha para produzir uma espécie de brilho ofuscante que mal se definia em meio aos simples cômodos das residências.
A água também era um recurso escasso, encontrado apenas nas rotineiras cacimbas, cavadas a mão com paciência e cuidado; Utensílios como vestimentas eram confeccionados a partir de “sacos de açúcar”; Os necessários materiais de limpeza, como sabão para lavar roupas eram substituídos pela cinza da caatingueira, um derivado branco que misturado ao barro formava um tipo de asseador rústico; e por uma espécie de madeira abundante, conhecida como “João mole”.
1910 foi, para muitos, um ano marcado pelo alto indicie de mortalidade infantil, bem como por mulheres que faleciam no parto. Dona Doca, a primeira parteira, apesar de seus 86 anos, guarda momentos como estes em décadas posteriores, instantes difíceis até mesmo de serem lembrados. Não bastasse, enfermidades constantes afligiam a todos que se viam na iminência de tentarem, a duras custas, chegar ao Aracati, fosse a pé, conduzido em redes ou sobre o lombo incômodo de animais. Muitos não resistiam os percalços da viagem e a morte se encarregava de abreviar-lhes o percurso que mais parecia um calvário. As unidades curativas da época, baseadas tradicionalmente em algumas plantas medicinais e rezas de curandeiros como o Sr. Francisco Cândido e Dona Regina, em atividade por volta de 1930, nem sempre eram eficazes e a necessidade mesmo da cura era fadada ao fracasso.
Outro quadro inapagável das sombras da memória do povo da Peroba foi a seca da era de 1940, quando chegaram a falecer várias crianças pela falta do que comer, um verdadeiro desastre.
As casas, todas dispostas a beira mar, favoreceram posteriormente aos distúrbios destrutivos com o constante avanço da maré que passou a ser uma preocupação permanente.
As complicadas condições de acesso à comunidade não permitiam uma comunicação eficiente, o que tornava mais árduo uma tentativa de melhoria na qualidade de vida local. Essa intransigência foi amenizada graças a construção de uma estrada de pedras, cortando o mato, em direção a praia, cujo mérito se atribui aos senhores Francisco Prego e Odílio da Cruz. O intuito era dispor de uma rodagem para veículos automotores, via essa que anos depois foi totalmente obstruída. Data ainda desse período à conclusão de um canal de acesso ligando o Incra a cidade do Aracati.
1960 – A lagosta como principal fonte econômica.
1970 – Instalação de uma bomba dágua, possibilitando água potável a comunidade.
Chegada do primeiro Professor, o senhor Arlindo, filho de Dona Doca, a parteira, que passou a lecionar em sua própria residência.
1980 – Construção da primeira sala de aula administrada pela Séc. de Educação do Aracati. A professora era Dona Lúcia, natural de Mossoró, Rio Grande do Norte.
Chegada do enfermeiro Emiliano que passou a auxiliar as pessoas da comunidade, consultando e medicando.
Manuel de Amadeu (Manuel Gapó), passa a ser visto como um dos grandes heróis na conquista das terras da Peroba, uma disputa acirrada contra os Modesto da Redonda. Na época, várias famílias uniram forças e colocaram abaixo cercas e arames que intentavam isolar a área em questão.
1988 - Edificação da Escola Municipal de Peroba, que agora tinha como professora uma pessoa da própria comunidade: “Tia Delza”.
1990 – Construção da primeira estrada de piçarra.
Criação da Associação de Moradores na Comunidade, cuja primeira presidente foi a Sra. Auricélia Bezerra, posteriormente eleita Vereadora.
Chegada da energia elétrica.
Construção da estrada de asfalto possibilitando melhor acesso a comunidade.
Participaram desse processo de resgate da memória coletiva local:
Flávia; Jaqueline; e ? Em oficina realizada em 16 de setembro de 2005, sob a moderação de Dora Farias e Rosa Rebouças.
Referência Bibliográfica
MARÍ (Tese de Mestrado)
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_______________________. A atividade lagosteira no município de Icapuí-CE: a situação de vida do pescador, suas contradições e perspectivas. Revista Expressão, Ano XXX, Nº 1 e 2. UERN. 1999.
ANDRADE, Luiz Odorico Monteiro de. & GOYA, Neusa. Sistemas locais de saúde em município de pequeno porte – a resposta de Icapuí. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 1992.
SILVA, José Airton Félix Cirilo da. Icapuí uma história de luta. 1ª ed. Gráfica Encaixe. Fortaleza – CE, 1998.
FREITAS FILHO, Manuel de. A aldeia do areal: história e memória de Ibicuitaba, Icapuí, Ceará. Fortaleza, CE. Ed. BN. 2003.
HAGUETTE, André. VIDAL, Eloísa M. (org.). Os caminhos da municipalização no Ceará: uma avaliação. UFC, Casa de José de Alencar, Programa Editorial. Fortaleza, CE. 1998.
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