BARRINHA
Origem do nome:
O nome deve-se ao “Canal” ou a “Barrinha”, formada por um braço de mar que em épocas anteriores dava passagem aos barcos de baixo calado ou veleiros de pequeno porte.
Linha da Vida
As memórias dessa comunidade remontam a década de 1940, quando situam o inicio efetivo da povoação local, atribuindo a saga precursora aos troncos familiares formados a partir do Sr. Bauduíno e Dona Joana.
Em 1950, aproximadamente, surgia na comunidade o primeiro comerciante, “seu Jaime”, cuja quitanda era um atrativo para os que desejavam e podiam acrescentar algo mais a mesa. Outra referência que mereceu atenção nas reminiscências do povo da Barrinha foi a do carpinteiro Antônio Simão da Costa, o veterano construtor de jangadas que eram feitas de piúba, uma madeira resistente vinda da região norte do país através de navios.
As condições das ambiência favoreciam a estabilidade de uma vida pacata, sem mais distúrbios. O mar era bem afastado das residências; havia muitos peixes e extração de grande variedade de mariscos, inclusive fartura de lagosta que inicialmente era capturada com anzol. Os feitos primeiros dessa atividade, que posteriormente se tornaria a base da economia local, deveu-se ao “seu Chico Uru”.
Além das labutas do mar, algumas famílias dedicavam-se ao cultivo da cana, graças às condições locais que favoreciam ao crescimento de bons hectares, movimentando assim muitos engenhos existentes na vizinha comunidade de Mutamba. Entre as principais atividades como derivados da cana estava a fabricação da famosa “cachaça praiana”, com satisfatório respaldo em praças comerciais como Mossoró, Areia Branca e Aracati.
As mulheres tinham uma boa parcela de contribuição na parca renda familiar com o desenvolvimento das atividades ligada à confecção de labirinto. Deleitando-se sobre o frescor dos alpendres que se debruçavam na direção infinita do mar, em tardes de muitas conversas e risos.
Tudo ali era simples. As casas eram bem modestas, pequenas e todas de palha. Somente por volta de 1960 é que é construída a primeira casa de taipa. Na mesma época um trágico acidente, devido a um incêndio, tirou a vida do Sr. Bauduíno, um dos fundadores da pequena vila praieira.
Data ainda daquele período o naufrágio de uma importante embarcação que singrava nos baixos recantos costeiros, repleto de surpresas para os mais desavisados. O infortúnio foi recebido com certa euforia pelos mais ousados que detiveram boa parte dos produtos transportados pelo navio.
Aproximadamente pelos idos de 1970, acontece a primeira extração de algas no banco natural com o fito de comercialização. O principal comprador dessa riqueza natural foi o Sr. José Rico. Na época era bem nítida a formação de dunas cobertas de salsas, além da imensa quantidade de capim ou algas propriamente ditas. A extração das algas e a renda dela proporcionada passam então a ser vista como um importante fato para o crescente aumento do número de famílias na comunidade, pois se tratava de mais uma atividade agregada às poucas geradoras de lucro ali existente.
Em 1980, devido a crescente entrada cada vez mais forçada de grandes barcos, culminou com o gradativo assoreamento do canal do qual derivou o nome da comunidade, bem como da sua croa, famoso banco de areia, caracterizando uma nova formação geográfica da região que perdura até hoje.
O alcance à praia dava-se sobre um relativo percurso de areia e bagaço de cana e coco, com alguns hiatos por conseqüência de grandes lagoas situadas entre a atual via ou corredor de acesso.
A construção da primeira residência de alvenaria é relembrada com admiração, datando do final da década de 80 e pertencente a Sra. Lúcia Xavier. No mesmo período são citados a construção de uma caixa d´água (1984), que disponibilizava água por meio dos famosos chafarizes públicos, bem como a edificação do prédio escolar (1987).
1990 - Um importante trabalho de conscientização da população para preservação do peixe-boi começa a ser desenvolvido mobilizando toda a comunidade.
1991 - Chegada da energia elétrica e sistema de água encanada através do SAAE – uma autarquia municipal.
1994 – Criação da AMBA (Associação de Moradores da Barrinha).
1995 – Mutirão para limpeza da praia.
Escola Comunidade em Ação.
1996 – Promoção da Primeira Regata de Jangadas da Barrinha.
1997 – A comunidade reconhece as algas marinhas como importante fonte de alimento.
1998 – Construção da estrada de asfalto no corredor que dá acesso a praia.
1999 – Chegada do sistema de telefonia fixa.
Extinção da alga hypena;
2001 – A comunidade se integra a importantes projetos como o “Reta Final”; “Peixe Vivo” e “Esse Mar é Meu”.
2002 – Cultivo experimental de algas, com importante mudança de atitude no processo de coleta e beneficiamento do produto.
2004 – Telefonia Celular como uma alternativa.
Sistema de Super – Adobe;
Construção da Horta;
Capacitação em Permacultura e Bio-Construção;
2005 - Cultivo e produção de algas em grupos, com construção de secadores e cata-vento para subsidiar a atividade.
Participaram desse processo de resgate da memória coletiva local:
Quem ?
Oficina realizada aos ? dias do mês de ? de 2005, sob a moderação de ?
Referência Bibliográfica
BEZERRA, Cláudio Alberto Barbosa. Impacto social da pesca da lagosta com compressor em Redonda – Icapuí – CE. (Monografia de Graduação em Engenharia de Pesca) Centro de Ciências Agrárias. Departamento de Engenharia de Pesca. UFC – Fortaleza-CE, 1992.
OLIVEIRA, Ocivá José de. Sociedade e economia na atividade lagosteira de Icapuí – CE. (Monografia de Especialização em Desenvolvimento Regional) Pró-Reitoria de Pesca e Pós-Graduação. UERN. Mossoró – RN, 1994.
_______________________. A atividade lagosteira no município de Icapuí-CE: a situação de vida do pescador, suas contradições e perspectivas. Revista Expressão, Ano XXX, Nº 1 e 2. UERN. 1999.
ANDRADE, Luiz Odorico Monteiro de. & GOYA, Neusa. Sistemas locais de saúde em município de pequeno porte – a resposta de Icapuí. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 1992.
SILVA, José Airton Félix Cirilo da. Icapuí uma história de luta. 1ª ed. Gráfica Encaixe. Fortaleza – CE, 1998.
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